Ô Manuel.....

Nestas andanças por este Brasil, tenho visto e vivido coisas estupendas! Agorinha mesmo minhas retinas beberam a manhã mais linda do Rio Amazonas.....mas nada que me traz saudades hoje e que me extasia ver, me provocará um dia o desejo de rever com precisão absoluta e fatalizada o que as terras do Grão Pará já o fazem.

Quero o Pará como se quer um amor sobressaltado, como de sobressaltado de paixão esta terra tomou-me, deixando-me doente de desejo. Aqui Manuel, as pessoas sao seres marchetados em madeira de lei. Os beijos amortecem como o jambu, os corpos têm cheiro de manga e as almas....bom, as almas....carregam misterio das aguas profundas. Você como mestre da escrita, meu querido poeta, conhecerá esta , como a terra do superlativo, onde ao procurar-es o belo e o feio encontra-rás o tenebroso e o maravilhoso. Tudo cantado e encantado por uma certa Matita Pereira.

Daria todos os açaís do mundo para ve-lo enfeitiçado por este lugar. O mesmo feitiço amazônico que transforma mulher bonita em castanheira, flores em pássaros , pepitas de ouro em sementes da mata. Impossível, Manu, descrever em palavras escritas ou faladas os assombros e desassombros deste lugar. E é neste lugar do sem palavras que sua ausência o faz mais presente! Só me resta nesta embriaguez de paixão vestir o meu linho branco e depois da chuva sentar no terraço do Grande Hotel, com vista para as mangueiras que encobrem o teatro da Paz e chupitar um sorvete de cupuaçu sem pressa de mais nada...

Você que conhece o mundo , conhece coisa melhor que isso Manuel ?? Com saudade, um abraço deste turista aprendiz,

Sob licença poetica, reescrevo aqui esta carta imaginária , que possivelmente Mario de Andrade teria enviado a Manuel Bandeira, caso este tivesse conhecido Fafá de Belém, Dira Paes, Paulo Chaves, Dona Onete ,Mestre Verequete e Mestre Catiá, Lino Villaventura e André Lima, as meninas de Tucumã, e escutado as operas de Waldemar Henrique ou se jogado em uma aparelhagem com Gaby Amarantos.